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Adolescente beneficiária se destaca como mediadora de conflitos e facilitadora de círculos de diálogo em escolas e na comunidade

A adolescente Andreina Araújo, beneficiária do projeto “Mucuripe da Paz”, desenvolvido pelo Instituto Tdh Brasil, já atua como mediadora de conflitos e facilitadora de círculos de diálogo em escolas e comunidades do Grande Mucuripe, em Fortaleza (CE).

O primeiro contato que a adolescente Andreina Araújo de Lima, de 16 anos, integrante do Grupo de Referência de Adolescentes e Jovens do projeto “Mucuripe da Paz”, teve com o Instituto Terre des hommes Brasil foi no ano de 2014, quando fazia o 8° ano na Escola Municipal de Ensino Fundamental José Ramos Torres de Melo, situada no bairro Mucuripe, em Fortaleza (CE). Na época, ela passou por uma mediação de conflito conduzida por um técnico da instituição e teve o problema solucionado com a pessoa que hoje considera como “amigo”. Ela é exemplo de que é possível resolver os conflitos por meio do diálogo, de uma conversa que tem como principal objetivo restabelecer os vínculos e promover a harmonia e o entendimento entre as partes envolvidas. O tempo passou e a estudante voltou a conhecer, desta vez mais de perto, o trabalho realizado pelo Instituto Tdh Brasil no ano de 2016 na Escola de Ensino Fundamental e Médio General Murilo Borges Moreira, onde hoje cursa o 2° ano do Ensino Médio.

A formação oferecida pelo Instituto Tdh Brasil lhe permitiu se empoderar

Inicialmente, ela participou de cursos que foram ofertados pela instituição voltados para os alunos, como o de mediação de conflitos e outro para capacitá-los para serem facilitadores de círculos de diálogo. Andreina Araújo era líder de sala, e já se destacava entre os demais estudantes. “Nas formações que fiz com profissionais do Instituto Terre des hommes Brasil, eu aprendia sempre um pouco de cada coisa e via que para mim ser uma boa facilitadora, tinha que ter o domínio da fala e das minhas emoções, porque sempre vai ter alguém que vai te tirar do sério nos círculos, e temos que ter sempre o controle da situação. Então, isso me ajudou na questão de controlar minhas emoções e minha postura”. Após se engajar no grêmio estudantil da escola, que passou a existir fruto de um incentivo para o protagonismo juvenil desenvolvido pelo Instituto Tdh Brasil na própria unidade escolar, ela aceitou o convite para fazer parte do Grupo de Referência. Hoje, ela atua como mediadora de conflitos e facilitadora de círculos de diálogo, promovendo assim a Justiça Juvenil Restaurativa tanto na escola como em comunidades no Grande Mucuripe.

A atuação na escola e na comunidade

“Nós fazemos ações mais voltadas para os adolescentes e jovens. Promovemos caminhadas com determinados temas, fazemos círculos de diálogo nas escolas e também realizamos mediação de conflitos. Já fizemos no Vicente Pinzón a caminhada pela paz, que era um abraço pela vida, abordando, principalmente, a questão da violência, além do “Setembro Amarelo” e outras questões sociais. Ao longo deste tempo, já conduzi um círculo de diálogo sobre os temas “gratidão”, “bullying” e agora conduzirei o terceiro sobre “gênero”, com alunos da Escola José Ramos Torres de Melo. Geralmente, conduzo estes círculos em escolas, na sede do Instituto Tdh Brasil e no Núcleo de Ação pela Paz (Napaz), situado no Vicente Pinzón. Fora estas atividades, também fazemos bastante debates comunitários no próprio Napaz e nas praças, como na Praça do Mirante”, compartilhou Andreina Araújo, ao falar da sua participação enquanto beneficiária do projeto “Mucuripe da Paz”. Segundo a estudante, o Grupo de Referência está buscando agora focar a sua atuação nas praças do Grande Mucuripe, com o objetivo de atingir o maior número de pessoas para conhecer e participar das atividades e, quem sabe, se agregar ao projeto.

O círculo de diálogo que ela não esquece

O círculo de diálogo que mais lhe marcou foi o que ela conduziu no encerramento do Curso de Facilitadores em Círculos de Justiça Restaurativa e Construção de Paz, que aconteceu na sede do Instituto Tdh Brasil no dia 20 de outubro de 2017, cujo tema foi sobre “gratidão”. “Eu considero que esse círculo foi o que mais me marcou pelo fato de não ter sido com adolescentes, mas com diretores e professores de escolas, profissionais do Sistema de Justiça Juvenil e de outras áreas. Foi um dos círculos mais emocionantes que eu já participei, tanto como participante como facilitadora ou co-facilitadora. Eu acredito que conduzi bem o círculo por conta de ser composto por pessoas mais velhas, de eles já terem um entendimento melhor, e por nós termos conseguido emocionar as pessoas, porque o tema ajudou bastante. As perguntas foram muito bem escolhidas e eu vi que as pessoas conseguiram externar seus sentimentos. Talvez se fosse outro assunto ou outros facilitadores eles não teriam falado. Então, eu vejo que foi uma oportunidade de troca de experiências e de conhecimentos, e isso enriqueceu bem tanto quem participou como quem facilitou”, afirmou a adolescente.

A contribuição do Instituto Tdh Brasil em sua trajetória de vida

Sobre o trabalho desenvolvido pelo Instituto Terre des hommes Brasil, Andreina Araújo considera relevante para a sociedade, sobretudo, porque preza por manter informados tanto os adolescentes e jovens quanto às famílias onde buscar e fazer valer seus direitos, visando o benefício da comunidade. Além disto, ela ressalta a importância da instituição disponibilizar sempre alguém para escutar e ajudar nas demandas colocadas pelos próprios adolescentes que fazem parte do projeto. Dentro deste contexto, Andreina Araújo conta que a instituição lhe ajudou a ser uma pessoa melhor, já que antes se via como uma adolescente agressiva e extremamente abalada emocionalmente. “Eu mudava muito rápido de humor, eu não sabia controlar minhas emoções, e hoje eu consigo graças ao trabalho que o Instituto Tdh Brasil desenvolveu comigo e outros adolescentes”, relatou.

O seu referencial de vida

Como muitos adolescentes, Andreina Araújo também tem uma pessoa que ela considera como um referencial para a sua vida, que é o seu professor de dança que tem o nome artístico de “Glaydson Jackson”, pois ele é profissional cover do saudoso cantor Michael Jackson. Ela conta que “Glaydson Jackson” passou por várias situações difíceis em sua vida, mas nem por isso se deixou abater e prosseguiu em frente. “Eu me inspiro nele, até porque o caminho que ele segue é o mesmo que eu quero seguir, que é o caminho da dança. Vejo ele como um exemplo, porque em nenhum momento ele se deixa abater, e ele sobrevive desta atividade. Muitas vezes, passa por dificuldades, por necessidades, mas sempre dá um jeito. Eu tenho ele como o meu maior exemplo”, revelou a estudante. Além do seu professor de dança, ela considera os profissionais que atuam no Instituto Terre des hommes Brasil como as pessoas mais influentes de sua vida.

Os sonhos para o futuro

Andreina Araújo tem sonhos e uma expectativa de vida positiva daqui para a frente. Ela afirma que deseja crescer mais e mais no Grupo de Referência de Adolescentes e Jovens do projeto “Mucuripe da Paz” e conseguir atingir ou ajudar o máximo de pessoas possível, sendo uma extensão ou uma multiplicadora do trabalho realizado pelo Instituto Tdh Brasil. “Eu posso dizer que hoje eu já tenho a minha 'carreira', porque surgiu uma oportunidade de trabalho para formar o meu grupo de dança. Então, almejo crescer na área da dança e conseguir realizar as minhas metas, que envolve também a dança, o teatro, conseguir fazer a minha faculdade de dança e ter a minha academia de dança. Aí, eu posso atuar como dançarina, coreógrafa ou professora de dança”, disse ela. A adolescente é considerada umas das alunas de referência na Escola Murilo Borges, assim como no projeto “Mucuripe da Paz”, no tocante à difusão e à aplicação da Justiça Juvenil Restaurativa, com o objetivo de prevenir a violência escolar e comunitária, um dos eixos de atuação do Instituto Tdh Brasil.

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