Banner
Você está aqui: Página Inicial / Notícias Terre des hommes / Crianças, adolescentes, pais e profissionais da AMI são sensibilizados com a Política de Proteção

Crianças, adolescentes, pais e profissionais da AMI são sensibilizados com a Política de Proteção

O Instituto Terre des hommes Brasil colaborou com o apoio técnico e metodológico na elaboração do documento intitulado “Política de Proteção de Crianças e Adolescentes: orientações sobre como proteger crianças e adolescentes de situações de violência”.

Instituição parceira do Instituto Terre des hommes Brasil desde 2013, a associação Amigos em Missão (AMI) é uma organização de sociedade civil que existe desde 2007, e mantém atividades voltadas para estimular o desenvolvimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza (CE). A AMI originou-se do grupo Amigos em Missão, que priorizando o trabalho voluntário, realizava anualmente encontros no sertão cearense, desenvolvendo ações em benefício do público infanto-juvenil. Com a intenção de proporcionar maior segurança e proteção ao seu público-alvo, a AMI elaborou, com o apoio técnico e metodológico de Tdh Brasil, o documento intitulado “Política de Proteção de Crianças e Adolescentes: orientações sobre como proteger crianças e adolescentes de situações de violência”, considerando todos os atores envolvidos no processo.

Com o objetivo de informar e compartilhar a importância da política, foi realizada  na tarde desta quarta-feira (29), na sede da associação Amigos em Missão, uma oficina sobre procedimentos de proteção e códigos de conduta, que contou com a participação de crianças, adolescentes, pais ou responsáveis e de colaboradores da AMI. Na oportunidade, a pedagoga Nádia de Paula, técnica de referência para a articulação comunitária de Tdh Brasil, falou sobre importância de toda instituição que desenvolve ações sociais voltadas para o público infanto-juvenil ter uma política de proteção estabelecida e formalizada, para garantir que eles não sejam violados e desrespeitados no seu direito de estarem protegidos contra qualquer situação de violência.

O olhar dos pais para o trabalho social da AMI e da Política de Proteção

Para Mara Núzia Alves de Brito, mãe da criança Daniela Marjorie Alves de Brito, que há dois anos participa da oficina de ballet, o desenvolvimento das atividades desenvolvidas pela AMI têm sido de considerável importância para as crianças atendidas. “Eu percebo que na convivência com as outras crianças, a minha filha tem aprendido a se sociabilizar com as pessoas, a dar apoio, carinho e atenção. Muitas vezes, a nossa ocupação como pais no dia a dia não nos permite dar 100% de atenção aos nossos filhos. Então, a AMI chega e completa aquilo que nós deixamos faltar”, afirmou. Sobre a Política de Proteção, ela vê como importante, não só para as crianças e adolescentes, como também para os jovens e os adultos. “Quando nós sabemos que existe um documento, que mostra que temos direitos, deveres e também proteção, isto nos garante muito mais segurança e aumenta a nossa confiança”, considerou.

A senhora Maria Aparecida Gomes de Souza, mãe das filhas Débora, Franciele e Tiffany, que são beneficiadas com as aulas de balletmuay thai, acredita que as atividades trazem desenvolvimento e bem-estar para as crianças e adolescentes. Segundo ela, o comportamento das filhas mudou para melhor depois que elas passaram a frequentar o ambiente da associação e a se sociabilizar com os outros beneficiários. “Elas gostam muito das atividades desenvolvidas na AMI. Quando elas chegam em casa, comentam que a aula do ballet foi muito boa. Em casa, elas aproveitam e brincam entre elas mesmas”, compartilhou. Depois de ter participado da oficina, Maria Aparecida passou a entender o valor e a importância da Política de Proteção. “Hoje em dia, tem muita violência no meio da rua, e nós não podemos confiar. Mas em relação à AMI não, eu confio muito no pessoal que trabalha na associação”, opinou.

O esforço da AMI em prol da proteção das crianças e adolescentes atendidos

Na visão da secretária da associação Amigos em Missão, Maria Ítala Lobato Quintino, a parceria entre a AMI e Tdh Brasil tem gerado resultados considerados por ela como “muito positivos”. Para Ítala, a colaboração do Instituto Terre des hommes Brasil tem despertado toda a equipe e a direção da associação para a questão da proteção à criança, a ter um olhar mais sensível. “Nós passamos a perceber que quando esse olhar é despertado, nós começamos a detectar melhor as situações do que antes. Perceber que as nossas crianças estão realmente muito vulneráveis, e que se não tiver esse olhar, essa vulnerabilidade pode se tornar um problema maior na vida delas”, disse a secretária.

Ela entende que com a disponibilização da Política de Proteção e a responsabilidade para se colocar em prática o que rege o documento, a importância da política ficará mais clara para todas as partes interessadas, que inclui as crianças e os adolescentes, a família e as pessoas que trabalham no projeto. “A criança vai estar mais segura. Nós vamos estar garantindo para ela um ambiente onde vai estar seguramente protegida de qualquer eventualidade e ação negativa, e isso traz uma proteção maior para a criança”, disse Ítala. A expectativa de Cristiane Vieira da Costa, conselheira fiscal da AMI, em relação à efetivação da Política de Proteção, é que os profissionais da associação passem a ter um olhar mais atento, e que a comunidade também desperte para essa atenção junto às suas crianças. “Depois de tomarmos conhecimento do teor de importância da política, parece que você fica mais aguçado, você já percebe mais, e trouxe uma maior sensibilidade para nós”, revelou. A versão impressa da Política de Proteção está prevista para ser lançada oficialmente em abril.

Atividades desenvolvidas na AMI

Em fevereiro deste ano foi realizada reunião com pais e responsáveis das crianças e adolescentes que são beneficiados pelo projeto da associação, roda de conversa sobre a temática do meio ambiente, aulas técnicas sobre conhecimento corporal, ballet clássico, higiene ambiental e pessoal, cuidados e saúde da bailarina, hábitos saudáveis, saúde prática com alongamento e flexibilidade. Na oficina de ballet, foram atendidas em fevereiro 50 meninas com até 12 anos incompletos e 11 meninas de até 18 anos. A AMI desenvolve ainda atividades como muay thai, jogos pedagógicos e de raciocínio, leitura, aulas de inglês e musicalização. Dos 90 beneficiários que a associação atende hoje, participaram destas atividades em fevereiro 12 meninos e 50 meninas com até 12 anos incompletos e 16 meninos e 12 meninas com até 18 anos. Em março, foi trabalhada a temática dos “Direitos da Mulher”, questões de gênero, atividades para desenvolver a lateralidade-noção espacial e visita domiciliar entre outras atividades institucionais.