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Demandas sociais dos jovens do Grande Bom Jardim e Mucuripe são discutidas no II Fórum de Juventudes

Aconteceu nos dias 27 e 28 de junho, no Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) e no Centro de Inclusão Tecnológica e Social (Cits) do Mucuripe o II Fórum de Juventudes do Grande Bom Jardim e Grande Mucuripe, realizado pelo Instituto Terre des hommes Brasil com o apoio de outras instituições. O evento tem como objetivo oportunizar espaço de diálogo e troca das experiências práticas na implementação de ações prioritárias e de oportunidades para as juventudes das áreas de atuação do projeto “Luta contra a violência às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social em Fortaleza (CE)”, monitorar as matrizes dessas prioridades construídas em seminários do Pacto por um Ceará Pacífico para dar respostas de prevenção à violência e fortalecer o empoderamento comunitário e das juventudes na garantia de seus direitos.

Nos dois fóruns, foram discutidas as reivindicações sociais para a juventude dos dois territórios, que são afetados consideravelmente pela violência na cidade de Fortaleza.

Aconteceu nos dias 27 e 28 de junho, no Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) e no Centro de Inclusão Tecnológica e Social (Cits) do Mucuripe o II Fórum de Juventudes do Grande Bom Jardim e Grande Mucuripe, realizado pelo Instituto Terre des hommes Brasil com o apoio de outras instituições. O evento tem como objetivo oportunizar espaço de diálogo e troca das experiências práticas na implementação de ações prioritárias e de oportunidades para as juventudes das áreas de atuação do projeto “Luta contra a violência às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social em Fortaleza (CE)”, monitorar as matrizes dessas prioridades construídas em seminários do Pacto por um Ceará Pacífico para dar respostas de prevenção à violência e fortalecer o empoderamento comunitário e das juventudes na garantia de seus direitos.

II Fórum de Juventudes do Grande Bom Jardim


Na abertura do II Fórum de Juventudes do Grande Bom Jardim, o coletivo "Bonja Roots" conduziu uma ciranda que envolveu todos os jovens e atores sociais que vieram participar do evento.

No dia 27, no CCBJ, o fórum teve a participação de adolescentes e jovens de diversas tribos do Grande Bom Jardim, onde na oportunidade eles puderam compartilhar e externar os seus anseios e demandas sociais para serem executadas pelo poder público. A programação do evento teve início com uma apresentação cultural feita pelo coletivo “Bonja Roots”. Em seguida, foi feita uma contextualização a partir da primeira edição do fórum no contexto Grande Bom Jardim, e apresentados os mapas sensoriais. Participaram ativamente do debate e fizeram suas reflexões acerca da realidade a qual vivem os jovens, integrantes do grupo Jovens Agentes de Paz (JAP), estudantes das escolas da região e jovens da comunidade. Na oportunidade, foram apresentados dados estatísticos da publicação “Trajetórias Interrompidas”, elaborada pelo Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA) da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE), relatório que traz dados compilados do estudo sobre homicídios de adolescentes em Fortaleza e em seis municípios do Ceará.

O JAP, por exemplo, é um grupo de jovens que tem atuação constante nas seis escolas públicas que estão instaladas nos bairros que compõem o território. “A missão do JAP no contexto social do Grande Bom Jardim é fortalecer a juventude na busca pelos seus direitos, lutar pela igualdade social. Não é porque um jovem que mora numa comunidade, numa periferia, que ele é considerado marginal, desclassificado. Esses preconceitos nós sofremos, principalmente, de quem é de classe média ou alta. Então, o JAP vem para ajudar a juventude a se fortalecer diante disto e lutar pelos seus direitos”, afirmou a jovem Jackline Marques, uma das integrantes do grupo. O alvo do JAP são as praças das comunidades que estão situadas na região, onde são promovidos encontros com o objetivo de se discutir a realidade dos bairros, o contexto social, a participação da juventude entre outas questões. Para ela, o II Fórum de Juventudes foi mais uma oportunidade para reunir os jovens para somarem esforços para cobrar do poder público políticas sociais em benefício para eles próprios e para a comunidade como um todo.


Tanto o II Fórum de Juventudes do Grande Bom Jardim quando o do Grande Mucuripe teve a participação efetiva dos adolescentes e jovens, que colocaram as suas opiniões a respeito da realidade social em que estão a viver nas suas respectivas comunidades.

“Nós entendemos o II Fórum de Juventudes como um momento muito importante e fundamental para a participação da juventude, porque é a partir da participação e do envolvimento da juventude que ela vai dizer quais são os seus anseios e a verdadeira pauta que os jovens querem dialogar e tratar em relação ao território do Grande Bom Jardim. Com a realização do fórum, nós esperamos que esse movimento da juventude aqui na região possa estar cada vez mais fortalecido”, disse a integrante da Comissão de Articulação da Rede de Desenvolvimento Local e Sustentável (Rede Dlis) do Grande Bom Jardim, Joice Luz. Já o jovem Wilbert Santos, integrante do coletivo “Bonja Roots”, que se apropria do reggae para fortalecer o empoderamento da juventude no contexto da ocupação do espaço público no Grande Bom Jardim, acredita que as causas sociais ligadas aos jovens precisam ser pautadas com um teor político, permitindo que haja um diálogo entre eles acerca dos acontecimentos políticos do bairro, além de se discutir uma política de redução de danos, tendo em vista que o território é marcado pelo considerável número de mortes por homicídios. “Para mim, o II Fórum de Juventudes vem com essa perspectiva de unir os valores, unir essa juventude que está atuando com garra para potencializar cada vez mais esse processo de construção sociopolítico e espacial do Grande Bom Jardim”, socializou Wilbert Santos as suas expectativas em relação ao evento.

II Fórum de Juventudes do Grande Mucuripe


O deputado estadual Renato Roseno discutiu as evidências e recomendações que constam no relatório da publicação"Trajetórias Interrompidas" elaborado pelo Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência.

No dia seguinte, 28, foi a vez do II Fórum de Juventudes reunir jovens do Grande Mucuripe. Inicialmente, foi contextualizado o resultado do Fórum de Monitoramento das Juventudes do Grande Mucuripe e apresentadas as respostas do poder público às reivindicações dadas pelos jovens no I Fórum de Juventudes que aconteceu em 2015. Em seguida, o deputado estadual pelo Ceará, Renato Roseno, apresentou de uma forma geral o relatório “Trajetórias Interrompidas” do CCPHA, detalhou e discutiu as evidências e recomendações que constam no documento e compartilhou e ouviu experiências dos jovens e adolescentes que moram na região. Ele considerou a realização do II Fórum de Juventudes fundamental para que os jovens discutam o que está a acontecer em suas comunidades, para que possam se fortalecer para pressionar o governo para que as políticas públicas sejam efetivadas.

“Hoje, o estado do Ceará é um dos estados onde mais morrem jovens vítimas de violência no Brasil, e Fortaleza é a pior capital em relação aos homicídios de adolescentes. Essa região do Grande Mucuripe e Vicente Pinzón é uma região que tem altíssima taxa de homicídios, e nós precisamos, sobretudo, dar esperança, luz às experiências da juventude para a afirmação do seu direito à vida, do seu futuro. Eu considero super importante o fórum, e nós do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência estamos contentes por estarmos no evento partilhando os nossos aprendizados e também aprendendo. Nós temos que pressionar para que as políticas públicas se tornem realidade. A morte de adolescentes e jovens é evitável. Os jovens morrem porque estão abandonados, e esse abandono precisa ser superado. O que pode superar o abandono são políticas públicas regulares com bom financiamento e de longo prazo”, refletiu o deputado Renato Roseno.


Uma das insatisfações dos jovens compartilhada no fórum foi a falta de compromisso do poder público, que não atendeu satisfatoriamente as demandas sociais colocadas por eles no I Fórum de Juventudes ocorrido em 2015.

Para Luana Kelly Cruz Ferreira, integrante da Companhia Vivarte e do grupo Vicente na Visão, a informação é o fator mais importante a ser levado em consideração no contexto da realidade da juventude. Em sua opinião, os jovens carecem de informação, de ajuda do governo e de organizações não-governamentais, e até de empresas privadas que tenham condições de apoiá-los, com a estruturação e construção de um espaço social, por exemplo. “É esse tipo de apoio que os jovens precisam para sair da rua e acabar com o índice de violência. Eu tenho a expectativa de que esse desejo de mudança se estenda para os jovens que não tem um lado militante, para que eles comecem a enxergar que a partir deles, a partir do movimento que eles são capazes de fazer, de ir em busca dos seus direitos, que podemos mudar uma realidade. Nós precisamos ir para a rua e militar. É disso que o jovem precisa, militar e correr atrás dos nossos direitos de jovens e cidadãos que somos”, ressaltou Luana Kelly.

O aluno Riquelme Alves Maia, presidente do grêmio estudantil da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Matias Beck, acredita que o II Fórum de Juventudes foi uma oportunidade para os jovens debaterem sobre algumas demandas colocadas no I Fórum de Juventudes que não foram cumpridas até hoje pelo poder público e relacionarem novas necessidades no território para que o governo tome conhecimento e planeje atendê-los. “No fórum, pudemos discutir sobre a situação e o que está acontecendo na comunidade, e foi também uma ocasião para que o governo, a comunidade e as instituições pudessem se colocar à disposição para nos ajudar. Eu acredito que as ideias que foram colocadas pelos jovens e os demais atores sociais no evento serão colocadas no papel e executadas fisicamente”, afirmou o estudante.


A articuladora comunitária do Instituto Terre des hommes Brasil, Nádia de Paula, acompanhou ativamente as reivindicações dos jovens e o desenvolvimento das ações na comunidade do Grande Mucuripe desde o I Fórum de Juventudes.

Ainda no fórum do Grande Mucuripe, foi apresentado o Modelo de Ação do projeto “Mucuripe da Paz: uma Rede de Proteção a crianças e adolescentes”, com a participação dos jovens e adolescentes do Grupo de Referência acompanhado pelo Instituto Terre des hommes Brasil; socializadas as ações planejadas para ocorrerem até o final de 2017; e colocadas as contribuições do II Fórum de Juventudes para a implementação do Modelo de Ação. Nos dois fóruns, houve ainda um momento onde foram dados os encaminhamentos e organizadas as comissões de trabalho de acordo com os encaminhamentos dados pelos jovens, que serão direcionados ao poder público.


A coordenadora-adjunta da CPDrogas, Patrícia Studart, se colocou à disposição para dialogar com a juventude na tentativa de promover ações que atendam aos anseios dos jovens.

Além dos adolescentes e jovens, participaram da 2ª edição do Fórum de Juventudes do Grande Bom Jardim e Grande Mucuripe a diretora do Programa de Justiça Juvenil Restaurativa do Instituto Tdh Brasil, Lastênia Soares, assim como parte da equipe técnica; a coordenadora-adjunta da Coordenadoria Especial de Políticas sobre Drogas (CPDrogas) da Prefeitura de Municipal de Fortaleza, Patrícia Studart; representantes do Pacto Por um Ceará Pacífico; do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência da AL-CE; do Centro Cultural Bom Jardim; diretores de escolas, profissionais de Centros de Referência Especializado da Assistência Social (Creas) e de Centros de Referência de Assistência Social (Cras); e integrantes de coletivos e grupos organizados de jovens das comunidades dos dois territórios.