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Resultado do Plano de Ação para a Prevenção à Violência é refletido em Feira Cultural

Realizada pela primeira vez em 2007, a Feira Cultural abordou nesta edição o tema “Mucuripe: minha história, minha vida”, onde o sentimento de pertença foi ressaltado no evento.

As ações desenvolvidas pelo Instituto Terre des hommes Brasil em escolas situadas nas comunidades do Grande Mucuripe/Vicente Pinzon, em Fortaleza (CE), tem gerado como resultado a abertura para a implantação de uma cultura de paz visando no futuro a mudança de uma realidade social a qual vivem muitas crianças e adolescentes. O Plano de Ação para a Prevenção à Violência e Implementação de Procedimentos Restaurativos e Protetivos da Escola de Ensino Fundamental e Médio Matias Beck, por exemplo, tem trazido para a comunidade escolar a experimentação de práticas restaurativas e a possibilidade da mediação de conflitos de casos que seriam difíceis de serem resolvidos se não tivesse sido construído entre os membros da gestão, os professores e os alunos um olhar restaurativo e humanizado.

 

Além da escola já ter contabilizado diversos casos de conflitos solucionados, a partir dos procedimentos restaurativos, a Feira Cultural referente ao ano letivo de 2016, que aconteceu nos dias 04 de 14 de fevereiro, é mais uma amostra de que o projeto traz indicadores que refletem a perspectiva de uma transformação social, de uma mudança de paradigma no bairro a partir do processo de conscientização e sensibilização que atualmente passa a nova geração de alunos infanto-juvenis da Escola Matias Beck. Realizada pela primeira vez em 2007, a Feira abordou nesta edição o tema “Mucuripe: minha história, minha vida”. Foram organizadas salas onde foram abordados os seguintes temas relacionados diretamente ao Mucuripe: história, culinária, esporte e lazer, turismo, geografia, religiosidade, economia, saúde e comunidade e cultura, incluindo o envolvimento das turmas do Ensino Fundamental e Médio.

 

A sensibilização para a prevenção à violência

 

Na sala temática sobre turismo, os alunos mostraram as opções de lazer e diversão da avenida Beira-Mar encenadas na própria sala, a representação do Farol do Mucuripe e maquetes de pontos turísticos do bairro. Outro detalhe que chamou atenção no que foi apresentado na sala foi a proposta de sensibilização sobre turismo sexual, que é algo que hoje faz parte da realidade social do bairro. O aluno Cristian Freitas Viana, 2° ano do Ensino Médio, acredita que a partir da pesquisa e da ação de conscientização os estudantes e os moradores do Mucuripe passarão a entender melhor a complexidade do turismo sexual no bairro e como a prática precisa ser combatida pelos próprios moradores. “O turismo sexual é um problema que está presente no cotidiano e que, às vezes, nós não vemos, mas acontece, e as pessoas que moram no bairro é que sofrem. Nós não damos a importância suficiente que deveria dar a essa questão social. Espero que nós tenhamos atingido a expectativa de sensibilizar as pessoas e que nós mesmos não venhamos a nos tornar vítimas da exploração sexual”, refletiu o adolescente.

 

As práticas restaurativas têm resultado efetivo

 

A professora Ana Odete de Araújo Correia, integrante do Núcleo de Trabalho, Práticas e Pesquisas Sociais (NTPPS) da Secretaria da Educação (Seduc) e que atua na escola, afirma que o diferencial desta edição da Feira Cultural foi o sentimento de pertença. “A grande maioria dos alunos são da comunidade. Eles moram, estudam e trabalham na comunidade. O lazer deles é dentro da comunidade. E foi uma oportunidade que eles tiveram de conhecer em detalhes as riquezas que tem o bairro onde eles moram, o Mucuripe”, relatou. Sobre o que foi desenvolvido pelo Instituto Terre des hommes Brasil no tocante à questão da prevenção à violência no Mucuripe a partir do trabalho realizado na escola, Ana Odete compartilhou o caso de dois alunos que melhoraram os seus comportamentos na semana que antecedeu a Feira. “Depois que começou a ser desenvolvida a cultura de paz na escola, o repensar das atitudes e a prática da mediação de conflitos, eles conseguiram passar esse tempo todo de preparação para a Feira Cultural sem criar nenhum problema. Aprenderam a respeitar o território de um e do outro e a valorizar o trabalho, o que pode ser considerado um resultado satisfatório. Eu fiquei surpresa e muito satisfeita”, complementou.

 

A realidade do Mucuripe foi vista pelos alunos com outros olhos

 

Segundo a diretora da Escola Matias Beck, Virgínia Vilagran, o tema da Feira teve como objetivo promover a oportunidade aos adolescentes de verem a realidade social do Mucuripe com outros “olhos”, a partir do que vem sendo feito de práticas restaurativas, da experiência da escuta empática e de um olhar mais próximo deles mesmos. “Eu acredito que a partir do que foi abordado nas salas temáticas, o aluno começa a ter um olhar mais pacificador, quando ele passa a olhar o lugar onde mora com outros olhos. Se fosse em outros tempos, eu acredito que eles não tinham nem aceitado o tema”, disse a diretora. Na sua opinião, a partir do momento que a pessoa consegue respeitar o seu ambiente de convivência, ela começa a se valorizar e a destruir menos, a respeitar o outro, e o impacto de tudo isto soa como positivo para todos que fazem parte da comunidade a qual a pessoa faz parte. Ainda como parte da programação da Feira Cultural, acontecerá nos próximos dias 21 e 22 de fevereiro, às 19h, com apresentações artísticas que serão abertas ao público externo.