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Custo da violência no Brasil chega a 5,4% do PIB

R$ 300 bilhões foram despendidos com segurança pública, prisões e medidas socioeducativas

Com o tema “Os custos da violência”, a reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) da última segunda-feira (11/04) gerou intenso debate em torno da eficácia, ou não, dos modelos tradicionais de prevenção e repressão à violência no País. Números trazidos pelo palestrante, o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira, mostram que o custo da violência no Brasil chegou a 5,4% do PIB no ano de 2014, consumindo cerca de R$ 400 bilhões em fatores como sistema de saúde, perda de capital humano, segurança privada e seguros. Outros R$ 300 bilhões foram despendidos com segurança pública, prisões e medidas socioeducativas.

“Estamos acostumados a ouvir, há muito tempo, que para resolver o problema precisamos ter mais viaturas, mais policiais e encarcerar mais as pessoas. Quando colocamos um ponto de vista diferente, as pessoas tomam um susto, mas é importante porque se abre a questão para a reflexão e o debate. A mudança exige reformas constitucionais”, afirmou.

Para Cerqueira, que é doutor em Economia e há 18 anos se dedica a estudos desta natureza, a replicação do modelo atual não funciona. Entre os argumentos, o de que há ausência de mecanismos básicos de gestão orientados para a efetividade. “Precisamos sair do enfoque do ‘mais do mesmo’ e apostar na mediação de conflitos, mais prevenção social focalizada e mais repressão qualificada”, defendeu o economista. Repensar um modelo que provou que não deu certo, no mínimo nos últimos 30 anos, é fundamental, segundo Cerqueira, “se a gente quiser ter uma política de segurança pública efetiva e maior paz social no País”. Alguns participantes contestaram os argumentos do economista.

O economista do Ipea também mostrou números que comparam o custo do encarceramento no Brasil – entre R$ 20 mil e R$ 30 mil/ano por preso – e o comparou com os investimentos em educação. Para Cerqueira, investir na educação de crianças e jovens terá impacto direto na redução do número de homicídios no Brasil. O País, aliás, responde por mais de 10% dos homicídios no mundo, revelou.

Após a reunião-almoço, Daniel Cerqueira participou na CIC de uma reunião com as entidades que atuam no Programa Municipal de Pacificação Restaurativa – Caxias da Paz.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC / Foto: Julio Soares